
Eu comecei a buscar conhecimento porque a dor da depressão profunda e da ansiedade crônica me levaram a acreditar que esse mundo não era mais para mim, que eu não era boa o suficiente para nada, nem para existir. Cheguei ao cúmulo de acreditar que Deus tinha cometido um grande erro com a minha existência.
Quando entrei em contato pela primeira vez com o termo “criança interior”, fiquei profundamente incomodada. Parecia algo tão bobo, chato, frágil demais e sem crédito nenhum.


Mas, aos poucos, fui cruzando as informações que eu já tinha adquirido sobre desenvolvimento infantil durante os mais de 20 anos de dedicação à pedagogia, com as novas descobertas da neurociência do comportamento e, bingo. Lá estava ela, na base, na raiz de tudo, ela, a infância.
E foi olhando para a minha própria infância que eu me vi ainda muito menina, já sofrendo, chorando sozinha, me sentindo um peixe fora d’água. Eu a vi tão sozinha, tão indefesa e, ao mesmo tempo, tão potente, tão inteligente e criativa, que quando me reconectei com as minhas partes perdidas na infância, desabei por meses.
Mas, apesar do meu processo ter sido bem dolorido, aos poucos fui me percebendo cada dia melhor, cada dia mais focada, mais determinada e mais interessada em entender, de verdade, como essa estratégia terapêutica poderia ser usada por outras mulheres pelo mundo.
Eu me dediquei por anos em formações nos EUA e no Brasil, coloquei todo o meu esforço e energia, me tornei psicanalista com ênfase em neurociência, tanto do comportamento quanto afetiva. Fui entender como as teorias de grandes autores antigos e atuais poderiam enriquecer o conhecimento inicial até que, depois de muito esforço, muitas noites de sono perdidas, eu tenho o orgulho de dizer que sou a terapeuta que desenvolveu o Método PACCI, Programa de Acompanhamento com base na Ciência da Criança Interior.


Como já disse, a criança interior não é o único passo, mas com toda certeza ela é o primeiro. É por ela que adentramos esse universo incrível que somos. É através dela que chegamos às origens que construíram quem estamos nos tornando e, por ela, chegamos no lugar de poder único de cada um, onde podemos escolher quem queremos ser de agora em diante.
Depois de viver a minha própria transformação, eu pensei: “Nossa, se eu soubesse disso antes, se eu tivesse conhecido alguém que pudesse me mostrar tudo isso antes, quanta dor eu teria evitado”. E foi aí que me debrucei com toda a minha alma para criar um processo que fosse leve e profundo ao mesmo tempo, cheio de compaixão, acolhimento e que trouxesse mudanças reais, daquelas que não tem como negar ou disfarçar. Quis facilitar o caminho de quem vem depois de mim, para que não seja necessário tanto sofrimento, como foi no meu caso.

